A cada 650 crianças, uma nasce com lábio leporino no Brasil

A gravidez gera uma alta expectativa em relação ao nascimento do bebê

. Antes mesmo do parto, os pais podem encontrar desafios na saúde da criança. A fissura labiopalatal, mais conhecida como lábio leporino, pode ser um desses desafios. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 650 crianças nascidas vivas, uma tem lábio leporino no Brasil.

A fissura labiopalatal é uma abertura no lábio ou no palato (céu da boca) gerado a partir do desenvolvimento incompleto do lábio e/ou do palato. Ela se desenvolve enquanto o bebê está se formando ainda no útero da mãe. De acordo com o Ministério da Saúde, as fissuras labiopalatais podem surgir por influência genética, mas também há relação com à diabetes na gestação, o fumo, o álcool, a hipertensão arterial entre outros fatores.

Os bebês podem ser diagnosticados com a fissura através do exame de ecografia até a 13ª semana de gravidez. O exame pode ser feito gratuitamente no SUS (Sistema Único de Saúde). A primeira cirurgia reparadora é realizada aos três meses de vida e, dependendo da complexidade da fissura, o bebê pode passar por outras cirurgias reparadoras. Se o bebê não for tratado, a anomalia pode acarretar em muitos problemas de saúde e também problemas de origem psicológica e social.

No Rio de Janeiro, o Hospital Municipal Nossa Senhora do Loreto, na Ilha do Governador, é um centro de referência no tratamento de fissuras labiopalatais no país. No hospital, a criança é acompanhada por uma equipe médica no Centro de Tratamento de Fissuras Labiopalatais (CEFIL), desde a saída da maternidade até o fim da adolescência, com tratamento cirúrgico, odontologia, ortodontia, fonoaudiologia, entre outras especialidades.

Segundo a diretora do Loreto, Fátima Brandrão, o percentual de desistência ao tratamento de forma definitiva é baixíssimo, mas muitas pessoas não possuem condições financeiras para o tratamento. “Não fazer o tratamento por um período é péssimo porque existe os momentos ideias em que os resultados do tratamento são os melhores, quando isso é interrompido, os resultados podem não ser tão bons.”, conta Brandão.

Adeus timidez

Breno Rogelio superou a timidez através da ajuda dos irmãos. (Foto: Arquivo pessoal/Breno Rogelio)

Breno Rogelio tem 32 anos e mora na Vila Verde, na Rocinha. Ele nasceu com fissura labiopalatal e fez o tratamento no CEFIL. Para ele, a estética e a infância nunca se deram bem. “Sofri muito bullying quando era criança e tinha vergonha de mim mesmo, mas depois ao passar do tempo, fui ficando mais tranquilo em relação a isso”, conta ele em tom de segurança.

A timidez foi perdendo força após seu envolvimento com a dança no hip hop quando era adolescente. A participação da família no desenvolvimento social também foi fundamental. “Desde os meus 16 anos eu já não tinha mais vergonha nenhuma dos meus lábios e nem com a fala porque meus irmãos me ajudaram bastante nessa transição”, lembra Breno.

Cirurgias gratuitas

Além do Sistema Único de Saúde (SUS), é possível realizar cirurgias através da Smile Train, uma organização sem fins lucrativos que oferece cirurgias de fissuras gratuitas ao redor do mundo.

Presente em mais de 85 países, a organização une diferentes origens e culturas em prol da solidariedade a crianças e adultos que não teriam condições de arcar com os custos do tratamento. “A preocupação e cuidado da Smile Train não terminam no final da cirurgia. Todo paciente, após o procedimento, é monitorado através do tratamento “atenção integral”, que abrange acompanhamento de uma equipe multidisciplinar de especialistas de diversas áreas como fonoaudiólogos, dentistas, ortodontistas e otorrinolaringologistas. Tudo para que a capacidade oral das crianças operadas evolua de forma saudável”, explica Mariane Goes, diretora da Smile Train na América do Sul.

Futuro dos tratamentos

Após dez anos de estudos, a cirurgiã plástica Daniela Tanikawa e a cirurgiã dentista Daniela Bueno, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, observaram que as células tronco extraídas da polpa de dentes de leite, podem ser usadas para tratar crianças com lábio leporino, formando um osso na fissura alveolar.

Atualmente, esta etapa do tratamento cirúrgico é realizada a partir da retirada de um fragmento de osso da região do quadril, em um procedimento doloroso e invasivo. Com as células tronco, a criança não precisa sofrer com esta retirada de osso. “Como não existe a cirurgia na bacia, a criança pode operar de manhã e ir para a casa à tarde. No entanto, é importante lembrar que este tratamento ainda se encontra na fase de estudo clínico com nível 2 de evidência médica. Por isso, ainda não está regulamentado para uso indiscriminado”, explica Tanikawa.

Veja abaixo onde encontrar ajuda no Rio de Janeiro para pessoas com fissuras labiopalatinas.

Se você souber de uma família em necessidade, por favor, ajude-os a encontrar um dos locais abaixo mais próximo para receberem um tratamento de alta qualidade e gratuito.

Hospital Municipal Nossa Senhora do Loreto
Associação Saúde Criança Ilha
Onde: Estrada do Carico, 26, Ilha do Governador
Telefone: (21) 3393-0610 / 2465-5000

Hospital Universitário Clementino Fraga Filho
Projeto Fendas
Onde: Rua Prof. Rodolpho Paulo Rocco, 255, Cidade Universitária
Telefone: (21) 3938-2822

CTAC | Hospital Municipal Jesus
Onde: Rua 8 de Dezembro, n° 717, Vila Isabel
Telefone: (21) 2333 4198

CTAC | UERJ
Onde: Av. Mal. Rondon, n° 381, São Francisco Xavier
Telefone: (21) 2333 4198

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