Da Rocinha para o rap, a vida de MC Oz

Dizer o que tem que ser dito através da música. É assim que podemos definir Luiz Rodrigues da Silva, 26 anos, mais conhecido como MC Oz. Filho de paraibanos e cria da favela, MC Oz conheceu o rap quando ainda era pequeno, por meio da televisão. Fã de Gabriel O Pensador, 2Pac, Racionais e Sabota, ele não tinha noção do espaço que o rap iria ter na sua vida.

MC Oz organiza batalhas de hip hop  na quadra da Roupa Suja (Foto: Michel Silva)

MC Oz organiza batalhas de hip hop na quadra da Roupa Suja (Foto: Michel Silva)

Em curto tempo, o rapper fez parceria em dois grupos – ALIADOS e PensAtivus – mas por problemas internos, os grupos chegaram ao fim. Em um deles, chegou a abrir um show de Marcelo D2 na Rocinha, para um público de aproximadamente 15 mil pessoas. “Foi emocionante ver tanta gente reunida e cantando o refrão da música do meu antigo grupo”, lembra ele.

Sem grupo, Oz decidiu seguir carreira solo e lançou seu primeiro álbum, intitulado “Prus Verdadeiros” com participações especiais de amigos. O cantor decidiu ir além das rimas e formou uma banda de rock, a Transporte Coletivo, que unia o peso das rimas com a letra agressiva dos reefs do hardcore. O projeto durou cerca de dois anos.

Neste meio tempo, fundou com amigos do hip hop, o C.A.S (Coletivo Arsenal Sonoro) na luta pelo fortalecimento dos artistas. Atuando na área social, criou a oficina Cultura Pincelando Rimas, inspirado pelo projeto ‘’Troque uma arma por um pincel’’, do Tio Lino, que morreu neste ano. A oficina era voltada para ensinar crianças da favela os princípios do hip hop, com o uso de acontecimentos históricos e do cotidiano. Por meio da leitura, Oz muitas vezes exercia um papel de educador.

O fim do trabalho com as criança.s na ONG do Tio Lino não afastou Oz da área social. Ele é um dos fundadores do Encontro de Ideias e Rimas, criado em parceria com o rapper M. Souza e a TV Tagarela. Um encontro de artistas para improvisos, em um evento sociocultural e realizado todo mês de graça na Roupa Suja.

“Eu nasci pobre, por isso minha palavra vale minha vida” – MC Oz

O evento atrai muitos jovens – não só da Rocinha – e já recebeu atrações como Crente Crew, RAPadura, Filipe Ret e MC Marechal, mas também abre oportunidades para artistas com menor expressão no meio. Além do rap, são realizadas batalhas de MCs, B-boys, discotecagem e grafite.

O rap é uma paixão incondicional na vida de Oz. Ele já trabalha em uma nova mixtape chamada “V.I.D.A” (Voluntária e Integral Dedicacação a Arte) com participação de grandes nomes do rap brasileiro como Nocivo Shamon, RAPadura, Shawlin e o angolano Kid Mc. O futuro de Oz é promissor, suas letras chamam a atenção de quem ouve. O lema escolhido por ele, “Eu nasci pobre, por isso minha palavra vale minha vida” é o eixo central da vida no rap.

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