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30 de outubro de 2016

O plano de fundo é a Rocinha e um dos assuntos abordados é a criminalidade. Esse é o cenário perfeito para mais uma reportagem sobre violência.

No entanto, moradores da Rocinha usaram o cinema independente para produzir o filme “Fuga da Rocinha”, que está fazendo sucesso nas redes sociais.

Moradores participaram do filme gravado na Rocinha e no Vidigal. (Foto: Divulgação/MáKina Cultural)

Moradores participaram do filme gravado na Rocinha e no Vidigal. (Foto: Divulgação/MáKina Cultural)

Publicado originalmente no YouTube, o filme que foi feito com cerca de 3 mil reais, conta a história de Anderson (Andrey Lopes), jovem de classe alta morador de Copacabana, e de Eliza (Maiara Queiroz), moradora da Rocinha. Os dois iniciam um romance, mas na primeira vez que Anderson vai conhecer a comunidade em que ela vive, acaba testemunhando um assassinato, e é caçado por traficantes que acreditam em seu envolvimento no crime.

O filme foi realizado em parceria com a produtora MáKina Cultural, autora de outras produções como videoclipes e curta-metragens. O roteirista e diretor do filme, Antonio Jr., 35 anos, ficou impressionado com o alcance do filme. “O público entendeu que o filme não trata de bandidos e tiroteio, mas de amizade, lealdade, do drama da criminalidade que atinge muitas famílias, e da divisão da sociedade, onde uma pequena parcela é muito privilegiada, enquanto a maioria da população carece de atenção do Estado”, conta Jr.

A produção também serviu de lançamento para novos atores. Formada na Escola de Atores Wolf Maya, a moradora Maiara Queiroz, 23 anos, comemorou a sua estreia no filme. Oriunda do teatro, ela também interpretou uma personagem na novela Fina Estampa (2011), da TV Globo. “Foi uma experiência incrível poder estar realizando meu primeiro longa metragem e contar a história do bairro onde nasci e cresci”, diz ela.

Para Antonio Jr., o principal desafio de fazer cinema independente, seja numa favela ou em outra parte da cidade, é a falta de dinheiro para alugar equipamentos e remunerar adequadamente os profissionais. “Durante a produção tivemos que fazer muitas adaptações, mudar algumas cenas, locações, gravar muitas cenas num único dia, meio na correria, para economizar, e por isso sinto ainda mais orgulho do resultado final”, comemora ele.

Camelôs vendem cópia do filme nas ruas da cidade

Filme está sendo vendido irregularmente nas ruas. (Foto: Autor desconhecido/Internet)

Filme está sendo vendido irregularmente nas ruas. (Foto: Autor desconhecido/Internet)

Vários filmes que estão em cartaz nos cinemas não estão sendo vendidos em DVD, mas os camelôs encontraram outros alvos: os filmes independentes. Antenados as mídias digitais, os camelôs estão comercializando cópias do filme “Fuga da Rocinha”.

Disponível gratuitamente na conta da produtora no YouTube, Antonio Jr afirma que a reprodução e venda é feita sem autorização da produtora, que não se responsabiliza pela qualidade do conteúdo distribuído. “Recomendo que as pessoas assistam o filme através do YouTube, já que lá, além de ser gratuito, o filme está em Full HD e a experiência audiovisual vai ser bem melhor”, explica.

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Categoria: Guia Cultural
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