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18 de dezembro de 2015

Estudar e chegar a uma universidade é um feito e tanto, mas concluir a graduação ainda é para poucos. Segundo o instituto Data Popular, que realiza pesquisas com as classes C,D e E, apenas 5% dos moradores de favelas têm ensino superior completo. As dificuldades são muitas, mas ainda assim há muitos jovens que não desistem e conseguem o tão sonhado, e suado, diploma universitário. Esse é o caso da Ismária Mendes de Paiva, 26 anos, moradora da Rocinha.

Ismária é filha nordestinos de São Benedito, no Ceará. Seus pais vieram em busca de uma vida melhor, assim como grande parte dos nordestinos da Rocinha. O objetivo era viver de música. Eles chegaram até a obter registro de compositores, mas carreira artística não se tornou a principal atividade e eles buscaram uma profissão mais estável. Hoje o pai de Ismária é garçom e a mãe diarista.

Quando criança, Ismária sonhava em ser pediatra. (Foto: Michele Silva)

Quando criança, Ismária sonhava em ser pediatra. (Foto: Michele Silva)

Quando criança, Ismária sonhava em ser pediatra. Estudante de escola pública no ensino fundamental e médio, ela fez o ENEM e aproveitou a nota para tentar uma bolsa em universidades privadas através do PROUNI (Programa Universidade Para Todos). Deu certo. Ismária foi selecionada para cursar a faculdade de Direito na Cândido Mendes com bolsa de estudos integral.

A parte mais difícil para ela viria após a conclusão do curso. Ismária encarou seu maior desafio: passar na prova da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Só é possível exercer a profissão portando este registro. Ela fez a prova sete vezes e chegou a pensar em desistir dessa área devido à dificuldade de conquistar seu registro. “Perdi o sono e pensei em desistir, fazer outra coisa. A cada tentativa parecia mais difícil” afirma a advogada, que conseguiu o registro na oitava vez.

Formada e apta a exercer sua profissão, Ismária já têm planos para o futuro. “Vou continuar estudando e fazer concursos públicos”. Sua trajetória é motivo de orgulho para toda a família e exemplo para o irmão mais novo, Renato Mendes, de 16 anos, que também já tem planos: “Quero ser músico e fazer uma faculdade para me dar mais estabilidade.”

Para quem também tem o sonho de concluir uma faculdade ou mesmo começar, ela dá um conselho. “Você precisa olhar pra trás, nunca esquecer de onde você veio, da sua família, respeitar seus pais e se esforçar para dar esse orgulho à eles”, disse a agora advogada Ismária Mendes de Paiva.

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