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2 de abril de 2015

Há quem diga que, na Rocinha, tudo pode acontecer. E pode! Nerito Belarmino, 46 anos, mostrou isso na prática e inovou com uma idéia simples, mas muito eficiente: o pagamento de corridas de mototáxi através de cartão de crédito. A iniciativa é inédita e chamou a atenção nas últimas semanas pelas ruas da comunidade.

Conhecido na localidade da Vila Verde como “Garçon”, Nerito trabalha como mototáxi de dia e à noite é pizzaiolo. Natural da cidade de Orobó, no agreste pernambucano, Garçon vive na Rocinha desde 1982, é casado e pai de três filhos.

Mototaxista é o único a adotar o tipo de pagamento na Rocinha. (Foto: Bruce Braga)

Mototaxista é o único a adotar o tipo de pagamento na Rocinha. (Foto: Bruce Braga)

Antes de abrir seu próprio negócio, trabalhou em vários lugares, entre eles a Pizzaria Guanabara. “Quando fiquei sem emprego, pensei: e agora? Comecei a fazer pizzas brotinho e vender de porta em porta, dentro da Rocinha. Os moradores adoraram. Assim fui juntando dinheiro.” Hoje, a pizzaria já tem ponto fixo, na rampa da Vila Verde.

“Os pedidos de pizza começam a chegar no fim de tarde, início da noite. Antes disso eu fico rodando no serviço de mototáxi.” Questionado sobre o que o levou à pensar nessa possibilidade, dispara: “Tudo saiu da minha cabeça! Percebi que muita gente na Rocinha usa cartão de crédito. Como eu já usava na pizzaria resolvi testar no mototáxi também e deu certo”, afirma Garçon.

O serviço vem tendo boa aceitação e desperta a curiosidade das pessoas: “Eu vou para o trabalho de moto, quando estou atrasada. No final do mês, quando a grana fica curta, o cartão salva.Vou pegar o contato desse mototáxi.”, comenta Sabrina Silva (25), que mora na Rocinha e trabalha na Gávea. E ela completa: “Já vi esse cara passando na rua com a plaquinha do cartão, mas não tive oportunidade de falar com ele. Essa é uma idéia muito legal!”

Garçon afirma que já está sabendo da existência de outros mototaxistas recebendo pagamentos através do cartão de crédito e não se preocupa com a concorrência. Esse trabalho é um complemento, mas seu foco é outro: “Meu desejo é expandir minha pizzaria, quem sabe abrir filiais em outros bairros no Rio, ou até mesmo na minha cidade, em Pernambuco”.

Ele se considera um empreendedor e deixa um recado aos leitores do Fala Roça: “Eu vendia bananas com meu pai na feira, em Pernambuco. Quando cheguei no Rio, eu não tinha nada. Vim apenas com uma bolsa, sem conhecer nada por aqui. Criei meus filhos todos na Rocinha. Se você quiser mudar sua vida, você pode. Tem que querer!”

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