Rocinha é apagada do mapa oficial de turismo da Riotur

O Fala Roça vem a público e repudia os exemplares do mapa oficial da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur) distribuídos para turistas. Conforme noticiado nesta segunda-feira (11/09) pelo O GLOBO, a Rocinha foi uma das favelas que foram praticamente apagadas do mapa. Essa prática que entendemos como uma política higienista, também foi adotada há mais de 25 anos, em 1992, na conferência mundial da ONU sobre meio ambiente. De lá para cá, muitos mapas oficiais apagaram os morros e favelas, mas ao mesmo tempo utilizam as comunidades para vender pacotes turísticos.

Várias favelas do Rio foram apagadas do mapa oficial da Riotur. (Reprodução)

 

Em 2015, o Fala Roça constatou que muitos mapas oficiais não apresentavam as manifestações culturais das favelas. Portanto, decidimos caminhar pela Rocinha e mapear diversos instrumentos socioculturais no morro. Cerca de 100 projetos foram mapeados e inseridos no Mapa Cultural da Rocinha (disponível em www.falaroca.com/mapa). Nele, o mapa inicia com uma ampla visão da cidade para que as pessoas percebam a dimensão da cidade como um todo. Apagar as favelas dos mapas oficiais é um fato grave, pois milhares de pessoas vivem nesses locais.

Por meio de nota, a Riotur informou que contratou, através de licitação realizada em 2008 e atualizada pela última vez em 2016, a empresa Temática Cartografia S/S ME, responsável pelos parâmetros legais que definiram a concepção dos mapas turísticos da cidade. “Esses mapas foram distribuídos durante grandes eventos como a Copa das Confederações em 2013, a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos e Paralímpicos em 2016. Não houve qualquer consulta ou orientação para retirar comunidades do mapa por parte da gestão atual da Riotur, apenas atualizamos os equipamentos de mobilidade urbana nos mapas já existentes. Nos mesmos postos em que esses mapas estão disponíveis é distribuída também a revista da Riotur, com conteúdo que divulga amplamente o turismo nas favelas da cidade.”

O Fala Roça não conseguiu contato com os representantes da empresa contratada para a atualização do mapa oficial.

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