Sem a conclusão do PAC 1, Governo do Rio quer iniciar o PAC 2 na Rocinha

No início de 2018, o Fala Roça solicitou dados ao Governo do Estado por meio da Lei de Acesso a Informação sobre as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na Rocinha. O governo não retornou nossas mensagens até a presente data. Porém, após 10 anos, as obras do PAC poderão ser retomadas na Rocinha. Segundo a SEOBRAS, a secretaria está pleiteando, junto ao Ministério das Cidades, a retomada dos projetos de melhorias ligados ao PAC II, que atenderia a Rocinha.

O PAC 1 na Rocinha recebeu um orçamento de R$259 milhões e desde 2008 não foram concluídas. Mesmo assim, o Governo Federal sob comando da ex-presidente Dilma Rousseff, anunciou em 2013, que a Rocinha iria receber obras do PAC 2. O valor total do investimento: R$ 1,6 bilhões e nunca foram iniciadas.

Em um vídeo publicitário governamental, o morador Antônio Xaolin comenta, em 2009, as obras do governo de forma positiva. Procurado para comentar sobre a atualidade, ele lamenta o descaso do poder público. “Acho que o PAC Rocinha não irá acontecer tão cedo. Além de não ser prioridade do governo federal, a crise econômica desvalorizou os insumos. E enquanto isso tudo vira sucata. Por outro lado, se houver uma grande mobilização comunitária o governo federal poderá rever alguns investimentos”, conta Xaolin.

Para o morador e historiador, Fernando Ermiro, a retomada do PAC seria ótimo para a favela, pois junto vem trabalho, oportunidades​ e desenvolvimento. “Sou contra a construção de um teleférico na Rocinha porque não dialoga com a favela, custa uma fortuna e a manutenção é cara, além de ser importada e que não desenvolve e nem transfere tecnologia para gente”, analisa Ermiro.

Questionados sobre a possível execução das obras do PAC 2 sem terem concluídos as obras do PAC 1, a SEOBRAS respondeu de forma objetiva: “O PAC 1 já está encerrado”.

As obras em duas fases

Na primeira fase do PAC, foram entregues as seguintes obras: Complexo Esportivo de 15 mil metros quadrados com campo de futebol em grama sintética, pista de skate e quadra poliesportiva; uma passarela projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, ligando o Complexo Esportivo à favela; uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) 24 horas; urbanização e alargamento de viela de 60 centímetros para 14 metros de largura na Rua 4 (Rua Nova) e uma Biblioteca Parque, com cinco andares e 1600 metros quadrados.

A urbanização da Rua do Valão (ou Rua do Canal), na parte baixa da Rocinha, não foi entregue. Porém, cerca de 60 casas receberam “melhorias” nas fachadas. Recentemente, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, anunciou em entrevista para a página Rocinha Alerta, que iria reformar novamente as fachadas da Rocinha porque ela está muito “feinha”. A obra irá custar R$ 1,2 milhão.

Na segunda fase do PAC estava previsto a construção de um plano inclinado; a reurbanização do Caminho do Boiadeiro; a construção de um mercado popular e de creche, localizada nas proximidades da Biblioteca Parque. Apenas a creche foi construída com recursos do PAC 1.

Preso em 2016 na operação ‘Calicute’, da Polícia Federal, o ex-secretário estadual de obras disse – três anos antes de ser preso por improbidade administrativa – que o saneamento básico da Rocinha seria prioridade no PAC 2. “A vertente principal do PAC 2 na Rocinha são o saneamento básico, as drenagens e a urbanização. A maior parte dos investimentos será nessas obras. E, a exemplo do que fizemos no PAC 1, com alargamento e urbanização da Rua 4, antes um foco de doenças pela excessiva umidade, vamos agora para outros pontos da Rocinha. Vamos atender a mais de 20 mil moradias com saneamento básico. Haverá 100% de tratamento do esgoto que hoje desce a céu aberto pela Rua do Valão. Vamos separar toda a água da chuva, o esgoto e o lixo e, além disso, vamos fazer creche, escolas e urbanização completa. O teleférico entra como uma alternativa de mobilidade”, afirmou Hudson Braga. O ex-secretário permanece preso na Cadeia Pública José Frederico Marques, na Zona Norte do Rio.

 

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